A língua portuguesa no século XIX e a história do negro em escrituras públicas de compra e venda de escravos
Abstract (Summary)
Esta Dissertação insere-se nos postulados da Historiografia Lingüística.Trata-se de uma análise em Escrituras Públicas de compra e venda de escravosdas marcas histórico-lingüísticas que caracterizam a Língua Portuguesa emuso no Brasil na segunda metade do século XIX e do processo de coisificaçãodo escravo negro.A Língua em uso no Brasil no século XIX já apresentava traços que adiferenciavam da modalidade européia. Alguns escritores românticos sedispuseram a registrar em seus textos certos aspectos da variante brasileira,pois queriam maior liberdade de expressão. Nas Escrituras, entretanto, não háa intenção de documentar as particularidades da língua em uso, pois amodalidade utilizada nos documentos é a européia.O uso dessa modalidade em documentos é determinado pelo Estado,pois ele se preocupa em realizar o ideal de universalidade com coerção, ouseja, busca dizer de tal modo que os que quiserem possam entendê-la e os quenão quiserem não podem alegar razões para isso. A modalidade lingüísticautilizadaem documentos prima pela clareza, pela inequivocidade.Ao optar-se por um enfoque histórico-lingüístico, foi possível verificar,os fenômenos de mudança lingüística, de inovação e adoção de um uso!específico por um grupo social. O caráter histórico e social da línguapossibilita-lhe expressar, por meio de sua materialidade, as marcas quecaracterizam o homem e seu tempo. No caso, das Escrituras Públicas, essasmarcas refletem a condição de mercadoria que é dada ao escravo negro
Bibliographical Information:
Advisor:Jarbas Vargas Nascimento
School:Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
School Location:Brazil
Source Type:Master's Thesis
Keywords:lingua portuguesa seculo 19 linguistica historiografia escravidao negra negro
ISBN:
Date of Publication:11/30/2002