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Florística e ecologia das comunidades de briófitas em um remanescente de floresta atlântica (reserva ecológica de Gurjaú, Pernambuco, Brasil)

by Germano, Shirley Rangel

Abstract (Summary)
No Brasil, até pouco tempo atrás, a maioria dos trabalhos abordava apenas a florística e taxonomia das briófitas, no entanto, recentemente a ecologia do grupo começou a ser melhor estudada. Alie-se a escassez de trabalhos sobre o assunto e a degradação da Floresta Atlântica, um dos ?hot spots? mundiais para a biodiversidade, e encontram-se as razões para se estudar a composição e os padrões de distribuição das briófitas. Para execução deste trabalho foi escolhida a Reserva Ecológica de Gurjaú, um dos maiores remanescentes de Floresta Atlântica da mata sul de Pernambuco (Lat. 08º10?00?- 08º15?00?S; Long. 35º02?30?- 35º05?00?O). Desta pesquisa foram gerados cinco artigos, de acordo com os objetivos propostos. Inicialmente, foi realizado o levantamento brioflorístico, coletando-se material durante os anos de 2000 e 2001, e após identificação, incorporando-se exsicatas ao Herbário UFP da Universidade Federal de Pernambuco. Após análise de troncos vivos e mortos, rochas, folhas e solo, registraram-se 85 espécies de briófitas, às quais foram adicionados seis registros anteriores totalizando 91 espécies para a área. Destas, 53 são hepáticas, 37 são musgos e 1 é antóceros. Das 23 famílias assinaladas, Lejeuneaceae (41 esp.) apresentou a maior riqueza genérica e específica, o que confirma a sua predominância em florestas tropicais. Lejeunea e Fissidens (7 esp. cada), Cheilolejeunea (6 esp.) e Calymperes (4 esp.) foram os gêneros de maior representatividade. A maioria das espécies apresenta distribuição neotropical e ampla ocorrência nos Estados brasileiros. Foram encontradas nove espécies de primeira ocorrência para o Estado: oito pertencem a Lejeuneaceae - Archilejeunea auberiana (Mont.) Evans, Cololejeunea cardiocarpa (Mont.) Evans, Colura greig-smithii Jovet-Ast, Diplasiolejeunea cobrensis Gott. ex Steph., Harpalejeunea stricta (Lindenb. amp; Gott.) Steph., Lejeunea caespitosa Lindenb., L. monimiae (Steph.) Steph., L. quinqueumbonata Spruce, e uma a Bryaceae - Bryum pabstianum C. Muell. De posse dos dados florísticos, procedeu-se à investigação ecológica levando-se em consideração as comunidades, o gradiente vertical das epífitas, e o efeito da fragmentação florestal sobre as briófitas. Os dados foram analisados estatisticamente e realizada análise de agrupamento. No estudo de comunidades foram abordados os principais microhabitats: solo (plano e inclinado), folhas (glabra e pilosa), rochas, troncos mortos (decomposição reduzida, média e avançada) e troncos vivos. Confirma-se a brioflora corticícola como a de maior riqueza florística (33% das espécies), seguida da epíxila (23%); as demais comunidades têm representatividade próximas. Hepáticas predominaram em relação aos musgos nas comunidades epífila (23:1), corticícola (2:1); o inverso ocorreu na terrícola (1:3). As epíxilas não mostraram especificidade em relação ao grau de decomposição dos troncos; as briofloras dos estádios intermediário e avançado foram as mais similares (70%). As comunidades corticícola e epíxila apresentaram 75% dos representantes partilhados, enquanto terrícola formou um grupo praticamente isolado. Foram reconhecidas oito formas de crescimento, predominando trançado. Tema pouco abordado no Brasil, o padrão de distribuição vertical de briófitas epífitas foi estudado para três fanerógamas arbóreas: Protium heptaphyllum Mart., Tapirira guianensis Aubl. e Bowdichia virgilioides H.B.K. Selecionaram-se cinco indivíduos de cada espécie, emergentes ou de dossel, subdividindo-os em quatro níveis de altura: base (0-50cm), tronco (a partir de 2m até a primeira ramificação), ramos principais (dossel interno) e galhos finos (dossel externo). Utilizando técnicas verticais para escalada coletaram-se, em cada nível, amostras das briófitas e aferiram-se temperatura, umidade e luminosidade. Avaliaram-se a riqueza específica, a freqüência, o grau de cobertura e as formas de crescimento. Foi obtida baixa riqueza específica correspondente a 36 espécies, das quais 25 hepáticas e 11 musgos. Hepáticas predominaram, ocorrendo no trajeto base-dossel um aumento da riqueza específica devido, principalmente, às Lejeuneaceae, família de maior representatividade (63%). As espécies mais freqüentes foram Sematophyllum subpinnatum (Brid.) Britt., Cheilolejeunea adnata (Kunze) Grolle e Frullania caulisequa (Nees) Nees. Esta última e Isopterygium tenerum (Sw.) Mitt. destacaram-se como as de maior abundância. Foram exclusivas de apenas um nível de altura: cinco espécies do dossel externo, quatro do dossel interno e três da base; sendo as demais generalistas. Houve maior riqueza de espécies e de formas de crescimento nos galhos. A similaridade entre as briofloras das espécies de forófitas foi relativamente elevada, superior a 60%. Troncos e galhos tiveram briofloras mais semelhantes (81,6%), do que base e ramos (60%). Não houve diferença significativa estatisticamente, de riqueza específica entre as espécies de forófitos e nem entre os níveis de altura. B. virgilioides e T. guianensis apresentaram briofloras características de dossel e de subosque, o mesmo não ocorreu em P. heptaphyllum, cujo padrão de distribuição vertical foi relativamente uniforme em todos os níveis. Estes resultados corroboram, pelo menos em parte, a hipótese de que as briófitas epífitas respondem a um gradiente vertical. Os padrões de distribuição foram semelhantes aos observados em floresta tropical úmida de terras baixas, embora com valores de riqueza específica inferior. Finalmente, foi analisada a correlação entre a riqueza e a composição florística das espécies de briófitas com o tamanho e a forma dos fragmentos da Reserva. Foram selecionados seis fragmentos florestais (F1-F6), de 9 ha e ca. 119 ha, em estádios de conservação diversos. Para a análise, consultou-se o banco de dados georreferenciado, selecionando-se aleatoriamente amostras de briófitas de 10 mortos, 10 troncos vivos e folhas de 10 arbustos ou árvores em cada um dos fragmentos. Na maioria dos fragmentos foi detectada a presença de briófitas epífitas, epifilas e epíxilas em proporções distintas. Novamente as hepáticas foram dominantes em relação aos musgos, na proporção de 2:1. A maior proporção de epífilas ocorreu em F3 e F6, o que indica uma condição de umidade mais elevada. O contrário foi evidenciado, por exemplo, em F2 onde as epífilas foram ausentes, sendo este o fragmento de maior tamanho de borda. Os resultados não confirmaram correlação entre a riqueza de briófitas, o tamanho e a forma dos fragmentos. Estes remanescentes de floresta secundária, ainda, abrigam uma riqueza considerável; no entanto, a presença de espécies fotófilas, pioneiras e/ou ruderais, reflete um processo de degradação. Apesar disto, foi registrada a presença de Vitalianthus bischlerianus (Pôrto amp; Grolle) Schust. amp; Giancotti, endêmica da Floresta Atlântica, e espécies de ocorrência restrita ao Brasil como Riccardia regnellii (Aongstr.) Hell
Bibliographical Information:

Advisor:Kátia Cavalcanti Pôrto

School:Universidade Federal de Pernambuco

School Location:Brazil

Source Type:Master's Thesis

Keywords:florística briófitas reserva de gurjaú anatomia vegetal

ISBN:

Date of Publication:02/24/2003

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