Freqüência dos problemas neuromusculares ocupacionais de pianistas e sua relação com a técnica pianÃstica - uma leitura transdisciplinar da medicina do músico.
Abstract (Summary)
INTRODUÃ?Ã?O: Tocar um instrumento musical é, popularmente, tido como algo eminentemente lúdico, destituÃdo de qualquer risco, mas essa não é a realidade observada em serviços de medicina do músico. O estudo sistemático de um instrumento musical não é uma tarefa simples e implica em uma demanda fÃsica e emocional não imaginável por quem não se dedica a ele. Em nÃveis elevados de performance, tocarpiano é algo análogo à performance de um atleta, envolvendo intenso treinamento muscular, com longas horas diárias de prática. Esse alto nÃvel de exigência predispõe os pianistas de elite a vários problemas neuromusculares. Apesar disso, as doenças ocupacionais desses profissionais são pouco conhecidas, pouco estudadas e poucovalorizadas. OBJETIVOS: Fazer uma revisão da literatura sobre os problemas ocupacionais neuromusculares dos pianistas e sobre a evolução conceitual e prática da técnica pianÃstica; estudar a freqüência das doenças neuromusculares ocupacionais de pianistas em nosso meio e a influência dos problemas técnicos da performance pianÃstica na gênese desses problemas. METODOLOGIA: Esse trabalho foi um estudo de corte transversal clÃnico ocupacional, que combinou três conjuntos de dados: (1) freqüência de desconfortos auto-referidos, obtida através da aplicação de questionário a um grupo de noventa e três pianistas (profissionais ou estudantes de curso superior depiano) e a um grupo controle de cinqüenta e um não músicos; (2) freqüência e natureza de problemas técnico-pianÃsticos avaliados a partir de filmagens de cinqüenta e um pianistas durante performance, com base num protocolo de avaliação especialmente desenvolvido para essa pesquisa; (3) avaliação clÃnico-neurológica e neurofisiológica(medida da velocidade de condução nervosa) dos mesmos cinqüenta e um pianistas cuja técnica foi avaliada, para consubstanciar a avaliação da performance. Cada um dos conjuntos de dados foram obtidos por pesquisadores diferentes, cegos aos resultados uns dos outros. RESULTADOS: O cruzamento dos dados obtidos permitiu constatar aelevada freqüência de sintomas neuromusculares ocupacionais nos pianistas estudados (91,5%), muito superior ao grupo controle (61%) p < 0,001. Os principais sintomas foram dor e fadiga muscular; os pianistas apresentaram dores principalmente no pescoço, nas costas e nos membros superiores. Ficou estatisticamente demonstrada a correlação dos problemas técnicos de performance com os desconfortos apresentados (p < 0,05). CONCLUSÃ?ES: A incidência de problemas neuromusculares ocupacionais em pianistas é muito elevada e as dificuldades técnicas de performance se mostraram comoum fator importante no aparecimento desses problemas.
Bibliographical Information:
Advisor:Francisco Eduardo Costa Cardoso; Maria Celina Paiva Szrvinsk; Ney Fialkow; Ylmar Corrêa Neto; PatrÃcia Furst Santiago; Delcio da Fonseca Sobrinho
School:Universidade Federal de Minas Gerais
School Location:Brazil
Source Type:Master's Thesis
Keywords:Doenças neuromusculares/etiologia DeCS Fatores de risco Dor nas costas Extremidade superior/patologia Eletromiografia Fadiga Muscular Meia idade
ISBN:
Date of Publication:06/19/2007