A utilização do aleitamento materno no tratamento da fenilcetonúria
Abstract (Summary)
O presente estudo tem como objetivo principal avaliar o uso do leite materno (LM) no tratamento da fenilcetonúria (PKU). Foram estudados, prospectivamente, lactentes fenilcetonúricos nascidos a termo, com peso > 2.500g, sem outra doença associada, e que mantiveram o leite materno como fonte de fenilalanina (phe). Os resultados obtidos foramcomparados com os de lactentes, também fenilcetonúricos, com os mesmos critérios de inclusão, e que usaram fórmula láctea comercial como fonte de phe. Foram avaliadas 35 crianças de cada grupo pareadas por sexo e por idade à suspensão do aleitamento materno. Os dados foram analisados até a suspensão definitiva do aleitamento materno ou, no máximo, durante 12 meses de acompanhamento, após o inÃcio do tratamento. Para o grupo leite materno, foi oferecida fórmula especial em mamadeira, de três em três horas, contendo substituto protéico (sem phe), carboidratos e lipÃdios. O LM foi oferecido, em livre demanda, nos intervalos entre as mamadeiras. Para o grupo controle foi oferecida formula especial em mamadeira, de três em três horas, contendo, além dos nutrientes acima referidos, fórmula láctea comercial como fonte de phe. Apenas para o grupo leite materno foram avaliadas aduração do aleitamento natural e a necessidade de acréscimo de fórmula láctea comercial à fórmula especial, para manutenção dos nÃveis sangüÃneos recomendados de phe. Foi comparado o tempo necessário para adequação dos nÃveis sangüÃneos de phe, após o inicio do tratamento, utilizando-se o teste de Wilcoxon. Analisaram-se os nÃveis sangüÃneos de phe durante o perÃodo de aleitamento materno. Foram analisados e comparados os dados antropométricos entre os dois grupos, pelo teste t de student pareado, utilizando-se o escoreZ > -2 como o limite entre a eutrofia e a desnutrição. A duração média da amamentação foi de 224,4 +120,1 dias. Foi necessária a introdução de fórmula láctea comercial na dieta de 24 (68,5%) crianças do grupo leite materno. O tempo médio necessário para adequação dos nÃveis sangüÃneos de phe foi de 11,4 +6,6 dias e de 9,8 +3,8 dias para os grupos leite materno e controle, respectivamente. O controle dos nÃveis sangüÃneos de phe mostrou-se adequado na maioria dos pacientes do grupo leite materno. Neste grupo, a proporção dos nÃveis de phesangüÃnea apresentou maior número de exames < 360 µmol/L e menor variabilidade dos resultados das médias de phe sangüÃnea em comparação com o grupo controle. A avaliação antropométrica mostrou que praticamente todos os pacientes fenilcetonúricos, de ambos osgrupos, apresentaram os escores Z dos Ãndices avaliados, dentro dos limites da normalidade, com melhora significativa na evolução destes Ãndices. A avaliação da média do perÃmetro cefálico mostrou melhora na evolução, com diferença significativa entre a medida inicial e final, nos dois grupos. Conclui-se que é possÃvel utilizar o leite materno no tratamento de lactentes fenilcetonúricos durante um perÃodo de tempo relativamente prolongado, obtendose, dessa forma, todas as vantagens do aleitamento natural, sem qualquer prejuÃzo tanto no controle dos nÃveis sangüÃneos de phe, quanto em relação ao estado nutricional dos pacientes.
Bibliographical Information:
Advisor:Ana Lucia Pimenta Starling; Roseli Oselka Saccardo Sarni; Marcos Jose Burle de Aguiar
School:Universidade Federal de Minas Gerais
School Location:Brazil
Source Type:Master's Thesis
Keywords:Leite humano DeCS Aleitamento materno Fenilalanina/sangue Resultado de tratamento Lactente Recém-nascido
ISBN:
Date of Publication:11/17/2006