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Uso de medicamentos por nutrizes em Itaúna-MG: caracterização e associação com o tempo de aleitamento materno

by Chaves, Roberto Gomes

Abstract (Summary)
O aleitamento materno é uma prática associada a valiosos benefícios para a criança, a mãe, a família e a sociedade, recomendada pela Organização Mundial de Saúde até pelo menos dois anos de idade. Contudo, as crianças raramente são amamentadas até esse períodoconsiderado ideal. Assim, torna-se necessária a realização de pesquisa para identificar os fatores associados à duração do aleitamento materno. Entre eles, o uso de medicamentos tem sido apontado como responsável por menos tempo de amamentação pelas nutrizes. Hácarência de estudos sobre duração do aleitamento em mulheres que utilizaram medicamentos com possíveis riscos para o lactente ou para a lactação, bem como também relacionados com a automedicação. O presente estudo investigou a associação entre o uso de medicamentos e a prática da automedicação pela nutriz com o tempo de aleitamentomaterno nos primeiros 12 meses após o parto. Trata-se de um estudo longitudinal tipo coorte, realizado com as mães na Maternidade do Hospital Manoel Gonçalves de Sousa Moreira, na cidade de Itaúna-MG, que tiveram seus filhos entre os dias primeiro de junho e quatro de setembro de 2003, sendo o acompanhamento realizado durante 12 meses após o parto ou até a interrupção da amamentação. O efeito do uso de medicamentos e da prática da automedicação sobre o tempo de aleitamento foi avaliado por análise multivariada, por meio do modelo de regressão de Cox, com variáveis dependentes do tempo. No modelofinal foram incluídas as variáveis associadas ao tempo de aleitamento materno com valores de p<0,05. As publicações da Academia Americana de Pediatria (2001) e de Thomas Hale (2004a) foram adotadas para análise da segurança do uso de medicamentos durante a amamentação. A freqüência de uso de medicamentos foi de 98% após a alta hospitalar. Em mulheres que não usaram ou que fizeram uso de medicamentos considerados compatíveis com a lactação, a duração do aleitamento foi maior, comparado com aquelas usuárias de medicamentos com risco de efeitos indesejáveis sobre o lactente ou sobre a lactação [p=0,020 (AAP,2001); p=0,000 (HALE, 2004a)] e medicamentos sem relato de segurança [p=0,019 (AAP,2001); p=0,000 (HALE, 2004a)]. Mulheres que não usaram medicamentos ou usaram aqueles sem risco de supressão da lactação amamentaram seus filhos por mais tempo que as que empregaram medicamentos potencialmente supressores da lactação (p=0,000). O uso de medicamentos foi a quarta alegação materna para a interrupção daamamentação. A automedicação foi praticada por mais da metade das nutrizes, levando à maior probabilidade de uso de medicamentos com efeitos possivelmente prejudiciais à saúde do lactente ou à lactação (p=0,000). Contudo, a prática da automedicação não foi associada ao desmame (p=0,135). Concluiu-se que, para compatibilizar a terapêuticamaterna com a amamentação, o profissional de saúde deve optar por medicamentos sabidamente seguros para o lactente e sem risco de redução da lactação. A elevada freqüência de automedicação entre as nutrizes alerta para a necessidade de orientação sobre a forma racional dessa prática durante a amamentação.
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Bibliographical Information:

Advisor:Joel Alves Lamounier; Cibele Comini Cesar; Luciano Borges Santiago; Graciete Oliveira Vieira; Francisco José Ferreira da Silveira; Marco Antonio Duarte

School:Universidade Federal de Minas Gerais

School Location:Brazil

Source Type:Master's Thesis

Keywords:Aleitamento materno DeCS Preparações farmacêuticas Estudos de coortes Tese da Faculdade Medicina.

ISBN:

Date of Publication:08/16/2007

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