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Potencial de espécies vegetais para fitorremediação de um solo contaminado por arsênio

by de Melo, Roseli Freire

Abstract (Summary)
O arsênio (As) é encontrado na natureza associado aos minérios de prata, ouro, antimônio, cobalto e de níquel. Existem vários casos de intoxicação e morte de milhares de pessoas contaminadas por arsênio em diversos países do mundo. No Brasil existem ocorrências de áreas com elevadas concentrações deste metalóide no Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, no delta do rio Amazonas e Santana no Amapá, entre outras. Tendo em vista o impacto que o arsênio pode causar no ambiente é de grande importância o desenvolvimento de técnicas para a descontaminação de áreas com elevadas concentrações deste metalóide. O presente estudo teve como finalidade avaliar o potencial de diferentes espécies de leguminosas herbáceas - crotálaria (Crotalaria spectabilis Roth.), feijão de porco (Canavalia ensiformis L.), mucuna preta (Stilozobium aterrinum Piper amp; Tracy), forrageiras herbáceas - estilosante (Stylosanthes humilis HBK), amendoim forrageiro (Arachis pintoi Krapov. amp; Gregory), azevém (Lolium multiflorum L.) aveia preta (Avena sativa L.), leguminosas arbustivas - feijão guandu (Cajanus cajan L.), sesbania (Sesbania virgata Cav.), leucena (Leucaena leucocephala L.) e espécies de eucaliptos - Eucaliptus grandis Hill, E. cloeziana (F. Muell), E. urophylla (S.T. Black), Corymbia citriodora (Hill amp; Johnson) (Eucalyptus citriodora Hook) para programas de fitorremediação de áreas contaminadas por arsênio. Os ensaios foram conduzidos em casa de vegetação em blocos casualizados com três repetições. Amostras de Latossolo Vermelho Amarelo foram incubadas por 15 dias com diferentes doses de As 0,0; 50; 100 e 200 mg dm-3 para as espécies herbáceas e arbustivas e de 0,0; 50; 100; 200 e 400 mg dm-3 para as espécies de eucaliptos, as quais resultaram em teores recuperados (Mehlich 3) de 0,0; 12,9; 26,8; 58,7 e 128,8 mg dm-3, respectivamente. Como fonte de As foi utilizado o arsenato de sódio (Na2HAsO4+7H2O). Após o período de incubação, realizou-se a semeadura das espécies herbáceas e arbustivas, sendo que para as espécies de eucaliptos realizou-se o transplantio de mudas com aproximadamente dois meses de idade, e após a germinação e transplantio, realizou-se as adubações com macro e micronutrientes. Aos 65 (herbáceas) e 90 (arbustivas e eucaliptos) dias após a semeadura e/ou transplantio as plantas foram avaliadas quanto à altura, diâmetro, matéria seca de raízes e parte aérea. As plantas foram separadas em folhas jovens, intermediárias e basais, caule, ramos, pecíolo e raízes, de acordo com as espécies. Determinaram-se os teores de arsênio nas diferentes partes das plantas, bem como, o conteúdo e índice de translocação de As para cada espécie. Por meio de análises de regressão foram estimados os teores críticos (TC) de As disponíveis no solo que proporcionaram redução de 50 % da matéria seca produzida em relação às plantas testemunhas. As espécies avaliadas mostraram comportamento diferenciado quanto à tolerância ao As. As plantas de mucuna preta, sesbania, leucena, azevém e E. grandis não manifestaram sintomas morfológicos visuais de toxicidade e apresentaram valores de TC no solo significativamente superiores aos observados para as demais espécies no período de tempo estudado. Os elevados conteúdos de arsênio nas raízes dessas espécies sugerem a atuação de mecanismo diferenciado de acumulação e translocação do metalóide aos tecidos da parte aérea. As espécies feijão guandu, feijão de porco, aveia forrageira e E. cloeziana apresentaram-se sensíveis exibindo lesões em suas folhas basais na maior dose de arsênio testada, mostrando potencial para serem utilizadas como plantas bioindicadores de efeitos em solos contaminados por arsênio. Por outro lado, as espécies mucuna preta, azevém, amendoim, estilosante e E. urophylla apresentam alta tolerância com potencial para fitoestabilização. Por último, as plantas de E. grandis, crotalária e Corymbia citriodora mostratam-se com potencial para serem utilizadas na fitoextração, no entanto, trabalhos mais conclusivos são necessários em condições de campo para verificar a potencialidade dessas espécies por maior período de exposição.
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Bibliographical Information:

Advisor:Juraci Alves de Oliveira; Jaime Wilson Vargas de Mello; Walter Antônio Pereira Abrahão; Emerson Silva Ribeiro Júnior; Luiz Eduardo Dias

School:Universidade Federal de Viçosa

School Location:Brazil

Source Type:Master's Thesis

Keywords:ciencia do solo arsenato fitoextração fitoestabilização arsenic phytoextraction phytoremediation

ISBN:

Date of Publication:09/04/2006

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