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O "nous" no tratado da alma de Aristóteles

by Peixoto, Juliana

Abstract (Summary)
Este presente trabalho trata do estatuto do nous no De anima de Aristóteles. A dificuldade em questão concerne à doutrina do intelecto explicitada no terceiro livro dessa obra, a saber, esse é comparado à sensação no quarto capítulo desse mesmo livro, mas no que se segue a essa comparação, bem como no quinto capítulo, é dito ser impassível, sem mistura, separado, essencialmente uma atividade, eterno e imortal. Ora, não só essas propriedades não são comuns à sensação, como essa doutrina parece se opor expressamente à teoria mais geral que perpassa todo o Corpus aristotelicum, a saber, o hilemorfismo. Assim, o intelecto afigura assumir uma posição bastante anômala no interior da psicologia do Estagirita, que parece comprometida antes com esse modelo segundo o qual a forma nunca ocorre separadamente da matéria. Nosso objetivo foi primeiro, o de demonstrar que a teoria do intelecto separado não se circunscreve ao terceiro livro desse tratado de psicologia, mas vem sendo apontada, aludida, e mesmo suposta em vários passos pertencentes ao primeiro e segundo livro dessa obra, livros correntemente colocados em oposição àquele. E nessa medida, nos opomos à tradição exegética que considerou ser a noética aristotélica uma estranha teoria justaposta ao restante da psicologia de Aristóteles. Assim, por meio de um exame do desenvolvimento dos argumentos acerca do intelecto anteriores à exposição mesma de sua teoria pudemos observar uma tensão ressaltada pelo próprio filósofo entre suas formulações estritamente hilemórficas e a separabilidade do intelecto. Constatamos então, que o Estagirita não apenas vacila em suas posições, mas parece delimitar o que será afirmado no quinto capítulo do terceiro livro, a saber, a natureza complexa do intelecto humano. Ademais, nosso segundo objetivo foi então o de buscar sustentar conceitualmente a coerência entre aquelas doutrinas aparentemente díspares. E para tal analisamos as passagens nas quais o Estagirita estabelece uma analogia entre as faculdades cognitivas da alma. E o que pudemos constatar é que no que o intelecto se assemelha à sensação, a saber, também ser, em certa medida, uma capacidade da alma dependente de algo externo a ela, podemos verificar sua conexão com o corpo, e nesse sentido, sua integração ao hilemorfismo. Contudo, naquilo em que essas faculdades se distinguem, a saber, ser o intelecto uma capacidade voluntária de efetivar a si mesmo, o intelecto é então separado de toda matéria. E julgamos que o intelecto pode ser dito nesses dois modos, afinal, diferentes coisas são anteriores ou posteriores conforme nos reportemos à efetividade ou à potência. Assim, podendo o intelecto humano estar em potência, quando ainda não inteligiu, assemelha-se mais à sensação, sendo mais propriamente uma faculdade passiva. Mas esse efetivamente não é nada, tabuleta vazia, portanto, nesse sentido nem propriamente podemos dizer que há um intelecto. Contudo, tendo inteligido e, portanto, passado à atividade, nesse caso efetiva os inteligíveis em potência na alma apreendidos nas formas sensíveis da sensação, e esse propriamente é o caráter essencial do intelecto, a saber, princípio efetivador, essencialmente ativo, tal como a luz, e então separado
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Bibliographical Information:

Advisor:Fernando Eduardo de Barros Rey Puente; Miriam Campolina Diniz Peixoto; Roberto Bolzani Filho

School:Universidade Federal de Minas Gerais

School Location:Brazil

Source Type:Master's Thesis

Keywords:Filosofia Teses. antiga Alma

ISBN:

Date of Publication:02/28/2005

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