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O microbio e o inimigo : debates sobre a microbiologia no Brasil (1885-1904)

by Carreta, Jorge Augusto

Abstract (Summary)
O objetivo principal desta tese é mostrar o conflituoso processo de aceitação do conhecimento da microbiologia no Brasil entre o final do século XIX e começo do século XX. O foco se concentrou nas polêmicas e controvérsias em torno deste conhecimento entre os cientistas e médicos do Rio de Janeiro. Inicialmente, foram analisados os efeitos da Reforma de 1880 na Faculdade de Medicina, ligada aos projetos de profissionalização dos médicos cariocas, e que ambicionava introduzir os mais recentes avanços da medicina experimental na instituição. O trabalho mostra que essa reforma obteve alguns êxitos, mas teve alcance limitado. Entre as metas não atingidas pelos médicos estava o estabelecimento do consenso acerca do conhecimento que embasaria a sua profissão. Em seguida, essa ausência de consenso é exposta por meio do exame das diversas polêmicas sobre a etiologia, combate e profilaxia das doenças epidêmicas, que assolavam a capital do país desde a década de 1850. Destaque especial foi dado a doenças como a varíola, a febre amarela e o beribéri. Também foi investigada a trajetória do Laboratório de Fisiologia do Museu Nacional, um dos espaços exteriores à Faculdade de Medicina onde se desenvolveram atividades na área de microbiologia. A análise das controvérsias sobre o conhecimento microbiológico, ainda não completamente aceito por todos os médicos e pela sociedade, serviu assim para indicar o grau de experimentalismo e improvisação que ainda marcava a ciência médica no Brasil do último quartel do século XIX. Já no século XX, dois episódios foram escolhidos para continuar a acompanhar esse processo: a fundação do Instituto Soroterápico de Manguinhos (1899) e a Revolta da Vacina (1904). No primeiro caso, foram enfatizadas as dúvidas que rondavam a produção e aplicação de soros curativos. No segundo, foi evidenciada a desconfiança que setores letrados e não letrados tinham do uso da vacina como meio profilático. Finalmente, aponto para a permanência do dissenso sobre a microbiologia nas décadas seguintes usando um debate pouco conhecido da literatura brasileira sobre o tema. Trata-se da disputa entre os partidários das idéias de Louis Pasteur e Antoine Béchap. Este último negava a teoria microbiana das doenças e afirmava que os estados doentios advinham de um desequilíbrio do próprio organismo. Ficou claro que mesmo após fundação do Instituto de Manguinhos, tido por alguns como o marco inicial das atividades científicas no Brasil, a microbiologia ainda levou alguns bons anos para obter o consenso (não absoluto) de que desfruta hoje em dia
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Bibliographical Information:

Advisor:Maria Conceição da Costa; Silvia Fernanda de Mendonça Figueiroa; Maria Conceição da Costa [Orientador]; Lea Maria Leme Strini Velho; Niuvenius Junqueira Paoli; Nara Margareth Silva Azevedo; Maria Margaret Lopes

School:Universidade Estadual de Campinas

School Location:Brazil

Source Type:Master's Thesis

Keywords:microbiologia ciencia historia aspectos sociais medicina microbiology science history social aspects medicine

ISBN:

Date of Publication:08/24/2006

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