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O medo e os vínculos sociais no Brasil

by Durand, Marina

Abstract (Summary)
A matéria deste estudo é o vínculo entre desiguais, organizado por relações de mando-obediência de forma a configurar os termos dominante-dominado. O vínculo é uma noção que abrange simultaneamente a relação social e o processo psíquico a ela subjacente, por isso é um instrumento teórico útil quando o interesse da investigação são processos psicossociais.A análise das relações de mando-obediência indica a presença de elementos da cultura paternalista, mesmo em relações de trabalho francamente capitalistas. Os efeitos desta cultura atingem a subjetividade do trabalhador tornando mais complexo o esforço de lutar por seus interesses. Os operários oscilam entre duas formas de ordenação do vínculo; a ordenação moral, própria da cultura paternalista, se alterna com a ordenação por interesse, própria do modo capitalista de produção. Observamos como a ideologia da organização de trabalho utiliza as disposições emocionais e significantes tradicionais para melhor realizar seus objetivos de lucro.É de especial interesse acompanhar alguns dos efeitos da cultura paternalista sobre a vida social, como a dificuldade para autorizar-se diante do que se tem efetivamente autoridade, fazer valer direitos e conviver com autoridades corruptas. Há também os efeitos sobre a subjetividade, em especial o sentimento paranóide, a ameaça que representa formas de autonomia, o rebaixamento da auto-estima, resultado de falhas narcísicas associadas à carência de sentido do que é público. A identificação com o agressor coloca o problema de vivermos com um ideal cujo sentido é negativo em relação ao sujeito. Uma conseqüência é a rejeição do brasileiro por ele mesmo.Sugiro haver conflitos estruturantes da nossa subjetividade e dos vínculos, levando-nos a viver como gente de primeira e de segunda; as respostas são diversas, mas cada um terá de se haver com esta questão. Brasil é um nome que nos habita e que habitamos. A maneira como se pratica a lei, em que muitas vezes a autoridade não a representa, mas acaba por substituí-la intensifica as ressonâncias da cultura paternalista.O desenho da tese é partir de um núcleo: análise das relações de trabalho com trabalhadores acidentados para identificar os processos que conduzem ao acidente de trabalho. A seguir, dimensionar a relação de trabalho como relação entre classes dominantes e subalternas, permeia a essas relações a suspeição. A condição social de dependência e o vínculo de sujeição também são termos comuns a ambas situações, o elemento que permanece reprimido é a ânsia por autonomia, ser par si em contraposição ser para servir.A análise da práxis de profissionais da rede pública de saúde indica a construção de uma organização psíquica e ideológica com pressupostos distintos dos paternalistas, de forma que ?o outro? não seja ocasião para demonstrar ?uma superioridade qualquer?, mas de oferecer a ele o que se tem de melhor, construindo, com reciprocidade, um vínculo com menos características sado-masoquistas e mais em conformidade com a organização genital da libido, ou seja, fecundo para ambos. A diferença, no caso, não tem adjetivação
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Bibliographical Information:

Advisor:Carmen Sylvia de Alvarenga Junqueira

School:Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

School Location:Brazil

Source Type:Master's Thesis

Keywords:PSICOLOGIA SOCIAL cultura paternalista falhas narcísicas sentimento paranóide subjetividade organização genital da libido Identidade social - Brasil

ISBN:

Date of Publication:06/10/2005

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