Incentivos e constrangimentos à cooperação em arranjos organizacionais de combate à violência em Salvador.
Abstract (Summary)
O crescimento exacerbado das violências, sobretudo nos grandes centros urbanos, tem levado governo e sociedade a formular propostas de intervenção no formato de arranjos multissetoriais como caminho potencial para produzir impacto sobre suas múltiplas causas. Todas as novas propostas de intervenções implicam em ação coletiva que demandam cooperação entre os diversos e distintos indivíduos e organizações. No entanto, tais iniciativas tendem a tratar a cooperação como algo dado a priori, como se a cooperação decorresse, apenas, da articulação de pessoas em torno de arranjos organizacionais e dependesse da vontade individual dos participantes. Tais propostas não consideraram as tendências racionais à deserção, ao free rider [carona] e ao oportunismo. Assim, as proposições de combate à violência trazem para o centro do debate uma questão que tem ocupado a atenção de muitos cientistas sociais e cientistas políticos, isto é, a construção da cooperação entre indivíduos quando envolvidos em uma ação coletiva. Daí a questão central do estudo: por que os indivíduos cooperam ou não cooperam para a realização de ações coletivas de combate à violência no município de Salvador? A resposta a estaquestão foi buscada nos estudos e na comparação dos casos do Fórum Comunitário de Combate à Violência em Salvador, instância não-governamental e de uma instância governamental, o Plano Intersetorial Modular de Ação para a Promoção da Paz e Qualidade de Vida na Cidade do Salvador, da Prefeitura Municipal do Salvador. O propósito do estudo é agregar evidências empíricas para elucidar as razões que levam os indivíduos a cooperarem ou a não cooperarem para ações coletivas. Tem como objetivo compreender os fatores que incentivam ou constrangem a cooperação entre indivíduos para a realização de ações coletivas em instituições de combate à violência em Salvador. Para tanto, o referencial teórico utilizado foi o da vertente teórica da escolha racional representada por Ostrom (1990, 1999) e por Levi (1991,1997), utilizada, também, para construir a estrutura deanálise deste trabalho. As evidências empíricas reveladas pela análise dos dados coletados nos documentos referentes às trajetórias dos casos e nas entrevistas com informantes-chave, que são as principais fontes de dados empíricos desta pesquisa, permitem argumentar que a cooperação requer a superação da inércia inicial dos atores racionais para a ação coletiva, e esta superação acontece, entre outras razões, quando a criação e a organização de arranjos organizacioanais são de iniciativa dos próprios atores. Argumento, ainda, que os fatores que constrangem ouincentivam a cooperação para a ação coletiva se encontram na dinâmica e natureza do processo decisório para definição e implementação das ações, e na garantia de incentivos gerais e seletivos.
Bibliographical Information:
Advisor:Jairnilson Silva Paim; Inaia Maria Moreira de Carvalho; Celina Maria de Souza Motta; Eli Diniz; Soraya Maria Vargas Cortes
School:Universidade Federal da Bahia
School Location:Brazil
Source Type:Master's Thesis
Keywords:Salvador cooperação ação coletiva combate à violência ADMINISTRACAO PUBLICA
ISBN:
Date of Publication:12/02/2005