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Fotossintese, relações hidricas e alterações bioquimicas em laranjeira 'pera' com CVC e submetida a deficiencia hidrica

by Medina, Camilo Lazaro

Abstract (Summary)
O Brasil é o maior produtor mundial de citros, porém a citricultura vem sofrendo perdas devidas à clorose variegada dos citros (CVC), doença causada pela Xylella fastidiosa, bactéria de colonização restrita ao xilema. Embora esteja muito distnouída pelo território nacional, há indicações de que a ocorrência de deficiência hídrica, freqüente em algumas regiões, pode aumentar a severidade da CVC. As folhas das plantas com CVC apresentam sintomas de deficiência hídrica, com decréscimos significativos nas taxas de assimilação de CO2 (A) e de transpiração (E), na condutância estomática (gs) e no potencial da água na folha ('P a). Esses sintomas estão relacionados com o aumento da resistência do fluxo de água no xilema. Também há possibilidade da existência de outros mecanismos de patogenicidade interferindo na abertura dos estômatos e na eficiência fotossintética. Em folhas de laranjeiras, com longo período de infecção por X fastidiosa, há aumento na concentração de compostos fenólicos e na atividade de enzimas relacionadas aos mecanismos naturais de defesa contra patógenos. Embora não haja relatos sobre a participação dessas substâncias no início do desenvolvimento da doença, há a possibilidade que estas sejam importante barreira ao desenvolvimento da bactéria no xilema e que elas sejam influenciadas pela dispomoilidade de carboidratos da planta e/ou pela deficiência hídrica. Este trabaJho foi dividido em dois capítulos. O objetivo do primeiro foi estudar a evolução dos sintomas foliares e as alterações nas trocas gasosas e relações hídricas de laranjeiras 'Pêra, promovidas ao longo do tempo pela CVC e sob a influência da deficiência hídrica. O experimento foi conduzido sob condições naturais com laranjeiras 'Pêra' (Citrus sinensis L. Osbeck) enxertadas em limoeiro 'Cravo' (Citrus limonia), plantadas em potes de 100 L e inoculadas com X fastidiosa por encostia com plântulas doentes. A CVC causou diminuição de forma gradativa em 'l'a, A e gs, mesmo na ausência de deficiência hídrica. Até os 9 meses posteriores à inoculação da bactéria, as reduções de 'l' a, A e I II III I I gs foram restritas ao período da tarde e para os períodos da manhã, e da tarde aos 22 meses posteriores à inoculação (MPI). Aumento na razão entre a concentração interna e externa de CO2 (C;lCa) e declínio na eficiência no uso da água (EUA) ocorreram apenas aos 22 :MPI, indicando que houve perda da eficiência fotossintética em plantas com CVC. Houve semelhança ao longo do tempo de infecção, nas respostas de A em função de gs e de A em função de 'l' a, entre plantas sadias e doentes. Isto permitiu concluir que a menor eficiência fotossintética de plantas com CVC está principalmente relacionada ao menor 'l' a, causado pela menor condutividade hidráulica no xilema, em conseqüência da colonização das bactérias. A ocorrência da deficiência hídrica no início de desenvolvimento da doença aumentou os sintomas da CVC e reduziu 'l'a, A e gs, confirmando que a deficiência hídrica agrava os danos causados pela CVc. A pequena capacidade fotossintética de plantas com CVC e a redução de A em função do aumento do DPV, podem tornar estas plantas menos adaptáveis em ambientes de maior demanda atmosférica. Isso, aliado aos prejuízos causados pelo déficit hídrico, justifica a maior severidade da doença em regiões de maior DPV e sujeitas à deficiência hídrica, como o centro e o norte paulista. O objetivo do segundo capítulo foi avaliar alterações bioquimicas nas folhas, através da composição de açúcares solúveis, aminoácidos livres, compostos fenólicos e da atividade r! de peroxidases, no início da manifestação dos sintomas de CVC e sob a influência da deficiência hídrica. A composição dos açúcares solúveis, aminoácidos livres, compostos fenólicos, a atividade e o perfil eletroforético de peroxidases não foram afetadas até os 9 MPI, embora houvesse a presença de sintomas da doença e diminuições significativas de A, E e gs. Houve diminuição na concentração de açúcares solúveis somente em folhas de plantas com CVC submetidas ao estresse hídrico. Aumento na atividade de peroxidases foi verificado somente em folhas com presença de sintomas mais avançados de cloro se. Tais resultados indicam que os mecanismos de defesa das laranjeiras não são ativados no período inicial de desenvolvimento da CVC. Estes resultados também sugerem que o hábito da bactéria colonizar o xilema, causando desbalanço hídrico, deve ser o principal fator de sua patogenicidade. A deficiência hídrica diminuiu a atividade de peroxidases em folhas com sintomas de CVC, indicando que pode causar prejuízos nas defesas da plantas, sendo mais um fator que justifica o maior desenvolvimento da doença em regiões mais secas
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Bibliographical Information:

Advisor:Eduardo Caruso Machado; Eduardo Caruso Machado [Orientador]; Antonio Roberto Pereira; João Domingos Rodrigues; Paulo Mazzafera; Ricardo Ferraz de Oliveira

School:Universidade Estadual de Campinas

School Location:Brazil

Source Type:Master's Thesis

Keywords:fotossintese bioquimica citricos

ISBN:

Date of Publication:07/18/2002

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