Details

Efeitos agudos da administração de pressão positiva contínua em vias aéreas de modo não invasivo sobre o parênquima pulmonar de voluntários sadios nas posições supina e prona: alterações na tomografia computadorizada de alta resolução

by Paiva Winkeler, Georgia Freire

Abstract (Summary)
Introdução: A ventilação não invasiva com pressão positiva (VNI) vem tendo uma crescente utilidade na prática clínica e o seu uso está bem estabelecido em casos de edema agudo de pulmão e nas exacerbações da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), diminuindo a necessidade de intubação orotraqueal e melhorando a sobrevida. Além disso, a pressão positiva contínua em vias aéreas (CPAP) ? modo de VNI ? constitui o tratamento de escolha para pacientes portadores da síndrome de apnéia obstrutiva do sono (SAOS), onde geralmente não há alteração no parênquima pulmonar. Ainda a aplicação de níveis elevados de pressão positiva expiratória final (PEEP) no manejo da síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) está associada tanto ao recrutamento alveolar como à hiperdistensão de áreas previamente normoaeradas, com resultados ainda indefinidos quanto ao impacto na sobrevida. Um dos recursos para melhora da oxigenação nestes pacientes é a posição prona e os efeitos da associação desta manobra com pressão positiva permanecem controversos. A tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) constitui um excelente método de imagem para avaliação qualitativa e quantitativa do parênquima pulmonar. O emprego da TCAR pode auxiliar na investigação dos efeitos da CPAP de modo não invasivo sobre o parênquima pulmonar, contribuindo para a elucidação dos efeitos fisiológicos da pressão positiva e da posição prona. Objetivos: Avaliar e comparar os efeitos de diferentes níveis de CPAP de modo não invasivo sobre o parênquima pulmonar em indivíduos sadios nas posições supina e prona. Casuística e métodos: Estudo intervencionista com oito voluntários sadios, sem doença cardiopulmonar. Foram realizados cortes tomográficos de alta resolução em três regiões: ápice (2 cm acima do arco aórtico), hilo (1 cm abaixo da carina) e base (2 cm acima do diafragma) na posição supina, sem CPAP (basal) e com CPAP de 5, 10 e 15 cmH2O; e na posição prona, corte em base, sem CPAP e com CPAP de 10 cmH2O. A seqüência das posições e da ordem das pressões aplicadas foi randomizada. Aguardava-se um período de no mínimo 5 minutos após completa adaptação da máscara para realização do exame e o mesmo período de tempo entre um nível de pressão e outro. Os dados foram analisados agrupando-se os cortes tomográficos das três regiões e por subdivisões em regiões ventral, medial e dorsal, sendo calculadas as médias das densidades pulmonares e o percentual do número de unidades com densidade menor que -950 UH (hiperaeradas) para cada uma das regiões. Resultados: Não houve diferença das médias das densidades pulmonares entre ápice, hilo e base para o mesmo nível de pressão. Na posição supina, houve redução da densidade pulmonar e aumento do percentual de pixels nas áreas hiperaeradas com níveis crescentes de pressão: basal -761 UH e 7,25%; CPAP 5: -780 UH e 8,57%; CPAP 10: -810 UH e 11,62%; CPAP 15: -828 UH e 14,65% (p lt; 0,05). O mesmo foi observado na posição prona: basal -759 UH e 6,30%; CPAP 10: -803 UH e 9,94% (p lt; 0,05). Este aumento da aeração também foi observado nas regiões ventral, medial e dorsal. Foi encontrado um gradiente crescente no sentido ventro-dorsal de densidades pulmonares na posição supina e o inverso na posição prona. A CPAP de 10 cmH2O, na posição prona, ocasionou menor aumento do percentual de pixels nas áreas hiperaeradas em relação à supina. Nas regiões não dependentes do pulmão (ventral em supina e dorsal em prona), observou-se um menor percentual de pixels nas áreas hiperaeradas e aumento nas normoaeradas na posição prona em relação à supina, praticamente sem diferença nas regiões dependentes. Conclusões: A aplicação de diferentes níveis de CPAP, de modo não invasivo, em voluntários sadios, resultou em maior aeração com níveis crescentes de pressão e maior homogeneização da aeração pulmonar, tanto na posição supina como na prona. Houve menor hiperaeração nas regiões não dependentes na posição prona, em relação à supina, sem CPAP e com CPAP de 10 cmH2O, com melhor distribuição da aeração pulmonar naquela posição.
This document abstract is also available in English.
Bibliographical Information:

Advisor:Carlos Roberto Martins Rodrigues; José Daniel Vieira de Castro\'; Francisco Sales Ávila Cavalcante; Marcelo Alcantara Holanda

School:Universidade Federal do Ceará

School Location:Brazil

Source Type:Master's Thesis

Keywords:MEDICINA Pressão positiva contínua nas vias aéreas Tomografia computadorizada por raios-x Decúbito ventral Ventilação Pulmonar Respiradores Mecânicos Relação Ventilação-Perfusão

ISBN:

Date of Publication:10/27/2006

© 2009 OpenThesis.org. All Rights Reserved.