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Efeito da genetica e dos sistemas de insensibilização eletrico e gasoso (CO2) no bem-estar e qualidade de carne de hibridos suinos.

by Bortoloni, William

Abstract (Summary)
Diversas pesquisas tem sido realizadas pela comunidade científica com o objetivo de avaliar o bem-estar de suínos durante o abate, entretanto, a maioria destes estudos não representam as condições de abate e constituição genética dos híbridos suínos produzidos e comercializados no Brasil. O presente estudo teve como objetivo principal, avaliar a influência da constituição genética de três híbridos suínos ( A, B e C) e dois sistemas de insensibilização (elétrico e gasoso) na qualidade da carne e bem-estar animal em condições de abate brasileiras. Um total de 956 suínos provenientes de três genéticas (A, B e C) amplamente comercializadas no Brasil com peso vivo de 100 a 120 kg foi aleatoriamente submetido ao sistema de insensibilização elétrico manual comercializado e produzido pela empresa Karl Schermer (220-230/250 volts, 45-60 HZ e 1,4 ?1,5A) e ao sistema gasoso, modelo COMBI (90 % de CO2), coletivo do tipo compacto comercializado e produzido pela empresa dinamarquesa BUTINA no mesmo abatedouro. Mensurações de pH, cor (L, a*, b*), reflectância luminosa interna (HGP), perda por gotejamento (Drip Loss), capacidade de retenção de água (CRA), "umidade exprimivel" (Expressible Moisture), salpicamento muscular, escoriações da pele, contusões musculares, fraturas ósseas, reflexos palpebral, níveis plasmáticos de creatina fosfoquinase (CPK), lactato, cortisol e presença de gene halotano foram realizadas em uma amostra dos suínos submetidos aos sistemas de insensibilização estudados. Comparando-se os sistemas de insensibilização, o elétrico demonstrou ser mais estressante, pois os submetidos a esse tratamento apresentaram níveis médios superiores de cortisol (12,23 e 18,55 mcg/dl , p< 0,001) e lactato (142,59 e 158,26 mg/dl , p? 0,0001) para os híbridos A e C em comparação ao sistema gasoso (9,22 e 12,57 mcg/dl ) e (118,09 e 109,68 mg/dl ) respectivamente, entretanto maiores níveis de CPK (p< 0,05) foram obtidos nos híbridos C, quando submetidos ao sistema gasoso (CO2). Variações dos indicadores sanguíneos de estresse entre os híbridos estudados também foram encontradas. Utilizando-se o sistema elétrico valores médios superiores de cortisol (18,55 mcg/dl, p< 0,0001) foram encontrados nos híbridos C quando comparados aos híbridos A (12,23 mcg/dl) e B (10,59 mcg/dl), entretanto, quando o sistema gasoso foi utilizado menores índices de cortisol e CPK foram observados nos híbridos A (9,22 mcg/dl e 1571,29 U/L, p? 0,001) comparativamente aos híbridos B (12,11 mcg/dl e 2641,69 U/L) e C (12,57 e 2789,60 U/L). A presença do genótipo (Nn) foi observada somente nos híbridos B onde níveis elevados de cortisol, lactato e CPK também foram encontrados quando estes animais foram submetidos ao sistema gasoso de insensibilização, entretanto, nas mesmas condições os híbridos C apresentaram elevados níveis de cortisol e CPK similares aos encontrados nos híbridos B, porem não se detectou a presença do genótipo (Nn) nestes animais. Diferenças significativas nos valores médios de luminosidade (L) (p< 0,05), valores (b*) (p< 0,0001), pH 24h pm no pernil (sm) (p? 0,05), pH 24 pm na sobrepaleta (sc) (p< 0,001), reflectância interna 1h pm (p< 0,0001) e reflectância interna 24h pm (p< 0,05) foram encontradas quando os sistemas de insensibilização gasoso e elétrico foram comparados. O sistema de insensibilização gasoso (CO2), apresentou ligeira vantagem em relação aos valores de pH 24h pm do pernil (sm) (5,76 ± 0,18) e sobrepaleta (sc) (6,09 ± 0,27) quando comparado ao elétrico (5,71 ± 0,17) e (6,24 ± 0,18) respectivamente, entretanto, nenhuma diferença significativa nos valores de capacidade de retenção de água, perda por exsudação e "umidade exprimível" foi observada quando os sistemas de insensibilização elétrico e gasoso foram comparados. A constituição genética dos híbridos avaliados influenciou os valores médios de luminosidade superficial (L) (p< 0,0001), valores (b*) (p< 0,05), pH 24h pm do pernil (sm) (p? 0,0001), reflectância interna 1h pm (p? 0,0001) e reflectância interna 24h pm (p? 0,0001) quando o sistema gasoso foi utilizado para todos os híbridos estudados. Em relação ao sistema de insensibilização elétrico a constituição genética dos híbridos influenciou significativamente os valores de pH do pernil (sm) 24h pm (p< 0,05), pH da sobrepaleta (sc) 24h pm (p? 0,05), reflectância luminosa interna 1h pm (p< 0,0001) e reflectância 24h pm (p< 0,0001). As diferenças nos valores de cor (L, a*, b*), ph 24h no pernil (sm) e sobrepaleta (sc), assim como os valores de reflectância luminosa interna obtidas entre os híbridos A, B e C, quando submetidos aos sistemas de insensibilização estudados não foram suficientes para influenciar significativamente os valores de perda por exsudação, capacidade de retenção de água e "umidade exprimível" entre os mesmos. Suínos submetidos ao sistema gasoso (híbridos A e B) apresentaram elevados valores médios (b*) (7,16 e 7,42, p< 0,0001) quando comparados aos híbridos insensibilizados com o sistema manual elétrico (5,52 e 5,61), respectivamente. Comparando-se os sistemas elétrico e gasoso de insensibilização independentemente da genética suína estudada, o sistema manual elétrico apresentou índices médios de salpicamento significativamente superiores nas regiões do coxão mole (0,477 e 0,26, p< 0,008), paleta / cranial (0,154 e 0,039, p? 0,003), paleta / central (0,261 e 0,052, p? 0,0002), paleta / caudal (0,180 e 0,030, p? 0,002), lombo / central (0,185 e 0,065, p? 0,01), lombo / caudal (0,06 e 0,207, p< 0,01) e lombo / lateral externa (0,061 e 0,013, p< 0,04). Considerando-se a extensão da musculatura atingida pelo salpicamento, comportamento similar ao encontrado nos índices de intensidade foi observado, ou seja, o sistema manual elétrico apresentou salpicamento mais difuso nas regiões do coxão mole (0,461 e 0,279, p< 0,03), paleta / cranial (0,154 e 0,039, p? 0,003), paleta / central (0,231 e 0,039, p< 0,00002) e paleta / caudal (0,185 e 0,026, p< 0,0008) quando comparado ao sistema gasoso coletivo. Pequena influência da genética suína foi observada tanto na intensidade como na área da musculatura atingida pelo salpicamento, quando o mesmo sistema de insensibilização foi utilizado. Maiores índices de escoriações da pele nas regiões da paleta (1,098 e 0,795, p< 0,0000001), corpo (1,04 e 0,948, p< 0,04) e pernil (0,84 e 0,68, p< 0,001) foram obtidos quando o sistema de insensibilização manual elétrico foi utilizado em comparação ao sistema coletivo gasoso. Nenhuma diferença significativa foi obtida quando se considerou a genética como efeito principal para os índices de escoriações da pele dos híbridos A, B e C insensibilizados como o mesmo sistema. Suínos insensibilizados com o sistema manual elétrico apresentaram maiores índices de reflexo palpebral (11,57%) que os submetidos ao sistema gasoso coletivo (2,86%) de um total de 426 animais avaliados, demonstrando que o sistema manual elétrico foi menos eficaz e proporcionou um nível de narcose inferior ao sistema gasoso durante a sangria. Pequenos índices de fraturas ósseas (< 1%) e contusões musculares (< 2,5%) foram obtidos quando se utilizou ambos os sistemas de insensibilização para todas as genéticas estudadas.
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Bibliographical Information:

Advisor:Nelson Jose Beraquet; Nelson Jose Beraquet [Orientador]; Bento da Costa Carvalho Junior; Roberto de Oliveira Roça; Dirlei Antonio Berto; Carmem Josefina Contreras Castilho; Expedito Tadeu Facco Silveira; Marise Aparecida Rodrigues Pollonio

School:Universidade Estadual de Campinas

School Location:Brazil

Source Type:Master's Thesis

Keywords:Bem estar

ISBN:

Date of Publication:02/01/2005

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