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DST no âmbito da relação estável:Análise cultural com base na perspectiva da mulher

by de Souza, Leilane Barbosa

Abstract (Summary)
Com suporte no advento da descoberta do HIV/aids, foram definidos os grupos de risco para as doenças sexualmente transmissíveis (DST), centralizados em homossexuais e profissionais do sexo, de forma que a população que não se encontrava nesses grupos não se considerava vulnerável às DST. A desconsideração do risco ocasionou inversão no número de casos de DST em populações específicas. Os números revelam, por exemplo, que em relação ao número de casos de HIV, a razão entre sexos tende a diminuir e a transmissão entre heterossexuais já prevalece sobre a transferência entre homossexuais. Diante disso, mulheres heterossexuais passaram também a concorrer como grupo de risco, entre as quais estão as que estabelecem união estável. Após o diagnóstico, a mulher pode experimentar uma situação de conflito com seu companheiro ao tentar descobrir a origem do contágio. Partindo desses pressupostos este estudo foi realizado. O objetivo geral da pesquisa foi investigar a contaminação por DST no âmbito de uma relação estável, e os objetivos específicos foram identificar fatores culturais que possam favorecer o risco de DST em casais e analisar as significações da contaminação por DST para o casal. Como metodologia adotou-se a abordagem etnográfica, com suporte na Teoria do Cuidado Cultural. Desenvolveu-se o estudo no Centro de Desenvolvimento Familiar (CEDEFAM) e no contexto familiar de sete mulheres, durante nove meses. Como resultados, foi possível identificar a interação de informações sobre DST nos sistemas de saúde profissionais e populares, de modo que as lacunas em relação ao conhecimento e conscientização sobre o risco parecem emergir do entrelace de questões culturais e de gênero, enraizadas, transmitidas e compartilhadas dentro da sociedade. Assim, baseados nas informações sobre DST produzidas em seu contexto cultural, homens e mulheres desenvolveram percepções errôneas sobre risco de DST e, com suporte nisso, adotaram comportamentos sexuais que favoreceram a contaminação. Constatou-se, também, que o diagnóstico de DST influencia o comportamento sexual das mulheres, que passam a redescobrir seus corpos e desenvolver indícios de cuidado com a saúde sexual e reprodutiva do casal. Em face disso, todavia, verificou-se que os homens parecem se comportar como coadjuvantes no processo e ainda consideram o problema como inerente apenas à parte feminina. Conclui-se, com arrimo nos achados, que é imprescindível a abordagem da cultura nas ações de Educação em Saúde para a promoção da saúde sexual e reprodutiva do casal. Acredita-se que, com esteio em estratégias de Educação em Saúde culturalmente direcionadas poderão ser alcançados resultados de impacto positivo na assimilação do risco e quebra da cadeia de transmissão de DST.
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Bibliographical Information:

Advisor:Maria Grasiela Teixeira Barroso; Patrícia Neyva da Costa Pinheiro; Maria Lúcia Duarte Pereira; Bertha Cruz Enders

School:Universidade Federal do Ceará

School Location:Brazil

Source Type:Master's Thesis

Keywords:ENFERMAGEM Doenças Sexualmente Transmissíveis Cultura Enfermagem Familiar Síndrome de Imunodeficiência Adquirida - enfermagem prevenção e controle

ISBN:

Date of Publication:12/06/2007

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