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Aspectos do perfil social da gestação e do parto da adolescente e da mulher adulta e suas repercursões sobre o recém-nascido

by Zaganelli, Francisco Luiz

Abstract (Summary)
Introdução: Na literatura, resultados controversos propiciaram este estudo para investigar diferença entre idade das mães adolescentes e adultas e repercussão no parto e condições de nascimento. Objetivos: Descrever aspectos do perfil social da gestação e do parto da adolescente e a da mulher adulta e associações de variáveis maternas e grupo etário com repercussão sobre o recém nascido vivo, no que se refere à presença de anomalia fetal, hipóxia (apgar) no primeiro e quinto minuto de vida, duração da gestação e peso. Metodologia:Foram analisados 6.302 prontuários médicos de gestantes, de todas asidades, internadas no período de cinco anos, de 2000 a 2004, na maternidade do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Espírito Santo, considerada de alto risco. Foi utilizado o Sistema Informático Perinatal do Centro Latino-Americano de Perinatologia e Desenvolvimento Humano (SIP-CLAP), criado e desenvolvido pelaOrganização Mundial de Saúde (OMS). A análise estatística foi realizada com a assessoria de profissional da área e em duas etapas para controlar os fatores de confusão. Inicialmente foi realizada a análise univariada e em seguida a multivariada. O modelo de regressão logística foi utilizado em ambas as análises para anomalias.Foi utilizado o modelo de regressão politômica nas duas análises para as variáveis de duração de gestação, apgar de um minuto, apgar de cinco minuto e peso. As mulheres foram divididas em grupos I (10-14 anos); II (15-19 anos); III (20-34); IV ( 35 anos). Grupo III serviu de referência para fins de comparação. Resultados: De todos os nascimentos, 89(1,4%) foram de adolescentes de 10-14 anos (Grupo I) e 1.462 (23,2%) foram de 15-19 anos (Grupo II), 4.138 (65,7%) demães do 20-34 anos (Grupo III) e 613 (9,7%) de 35 anos e mais idade (Grupo IV). Entre as 89 adolescentes de 10 a 14 anos, não havia analfabetas; 96,6% tinham de 4 a 7 anos de estudo; 46,1% viviam com um companheiro. Nesse grupo, no pré-natal 43,8% realizaram 7 ou mais consultas; não relataram ter filho vivo prévio e 98,9% relataram não ter filho morto prévio. Também, nesse grupo 57,3% tiveram filho departo normal; em 89,9% deles em boas condições de vitalidade ou com Apgar de 7 a 10 no primeiro minuto de vida e 98,9% no quinto minuto; 73% foram a termo, 95,5% de gestação de um feto, 51,7% nasceram com peso adequado e não portadores de anomalias em 100%. Entre as 1.462 adolescentes de 15 a 19 anos (grupo II) 18 (1,2%) eram analfabetas; 41,7% tinham de 4 a 7 anos de estudo; 61,9% viviam comum companheiro. No pré-natal 45,1% realizaram 7 ou mais consultas; 79% relataram ter filho vivo prévio e 99,3% relataram não ter filho morto prévio. Quanto ao parto e nascimento, observou-se que 65,6% delas tiveram filho de parto normal; em 88,2% em boas condições de vitalidade ou com Apgar de 7 a 10 no primeiro minuto de vida e97,7% no quinto minuto; 76,4% foram recém-nascidos a termo, 95,8% de gestação de um feto, 47,3% nasceram com peso adequado e não portadores de anomalias em 98,8%. Após análise univariada e multivariada verificou-se que não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos de mães adolescentes e adultas no quese refere à anomalia, ao apgar de primeiro e quinto minutos de vida e prematuridade. Entretanto observou-se diferença estatisticamente significativa em relação ao Grupo materno, ao peso do recém-nascido, ao número de consultas, à cesariana e filho vivo prévio. A chance do recém nascido ser de baixo peso quando a mãe pertencia ao Grupo I foi de 0,76 vezes (24% menor) que a chance do recém-nascido da mãepertencente ao Grupo III (p=0,004). A chance do recém-nascido ser de baixo peso quando a mãe pertencia ao Grupo II foi de 0,90 (10% menor) que a chance do recém nascido da mãe pertencente ao Grupo III (p<0,0001). Quanto maior o número de consultas, a chance de um RN ter hipóxia grave e moderada com um minuto de vida reduziu-se em 40% (p<0,0001) e 18% (p<0,0003). Aos cinco minutos de vida a hipóxiagrave e moderada foi reduzida em 35% (p<0,033) e 44% (p<0,0001) respectivamente. Ter peso insuficiente foi reduzida em 29% (p<0,0001). Uma consulta a mais, a chance de um RN ter baixo peso é reduzida em 54% (p<0,0001). A chance de uma criança que nasceu por cesariana e ter peso insuficiente foi 0,8 vezes maior (p<0,0002) daquele nascido de parto vaginal. Para o aumento em uma unidade do número de filhovivo prévio, a chance de um RN ser pré-termo reduz-se em 23% (p<0,0001), ser baixo peso reduz-se em 20% (p<0,0001) e ser a termo reduz-se em 10,8% (p<0,0001). Conclusões: Conclui-se que o principal fator para a ocorrência de hipóxia grave e moderada com um e cinco minutos de vida, baixo peso, peso insuficiente e prematuridade foi o número de consultas no pré-natal. Com o aumento de uma consulta, a chance de um RN ter baixo peso foi reduzida em 54% (p<0,0001).Observou-se que com o aumento do número de consultas, reduziu-se a chance de um RN ter hipóxia grave e moderada com um minuto de vida em 40% (p<0,0001) e em 18% (p<0,0003), respectivamente. Com cinco minutos de vida, reduziu-se a chance de ter hipóxia grave e moderada em 35% (p<0,033) e em 44% (p<0,0001), respectivamente. Também foi reduzido o número de recém-nascido de peso insuficiente em 29% (p<,0,0001) e prematuridade em 19% (p<0,0001). A idade da mãe adolescente não foi fator importante para aumento destas condições e para anomalia fetal.
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Bibliographical Information:

Advisor:Roberto Assis Ferreira; Joel Alves Lamounier; Jose Silverio Santos Diniz

School:Universidade Federal de Minas Gerais

School Location:Brazil

Source Type:Master's Thesis

Keywords:Pediatria Teses. Dissertação da Faculdade de Medicina UFMG Gravidez na adolescência/estatística & dados numéricos DeCS Idade materna Escolaridade Estado conjugal Cuidado pré-natal/utilização Recém-nascido baixo peso Gravidez/estatística alto risco/estatística Hospitais ensino Fatores risco

ISBN:

Date of Publication:09/20/2006

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