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As marcas do movimento de Saussure na fundação da linguistica

by Silveira, Eliane

Abstract (Summary)
Esta tese se propõe a examinar a fundação da lingüística moderna por Ferdinand de Saussure (1857-1913). Essa fundação é reconhecida desde o início do século XX, quando foi publicado o Cours de Linguistique Général (1916). A partir dessa publicação, os estudos da linguagem conquistaram uma autonomia, centrada no reconhecimento de que a língua tinha uma ordem própria. Foi do reconhecimento dessa ordem própria enquanto estrutura que surge por volta de 1960 o estruturalismo, movimento que afetou outras áreas de pesquisa nas chamadas ciências humanas, como a antropologia, a psicanálise e a teoria literária. Contudo, na lingüística especificamente, aquilo que fora revolucionário num determinado momento, passou a ser desqualificado aqui, engessado acolá: as críticas às exclusões lidas nas dicotomias saussureanas_língua vs. fala, sincronia vs. Diacronia_ se intensificam e, sobretudo, o Curso de Lingüística Geral passa a ser leitura obrigatória na universidade, mas, na maioria das vezes, com o estatuto de letra morta, sem nenhum compromisso com a teorização sobre a linguagem, como mera informação para localizar a sua diferença relativamente a outras tantas teorias lingüísticas. A obra de Ferdinand de Saussure, entretanto, permaneceu intocada. O Curso de Lingüística Geral não foi escrito por ele. Foi fruto de uma edição a partir de alguns de seus manuscritos e notas de alunos, fato esse que, atualmente, tem merecido discussões calorosas por parte de autores que se dividem no julgamento do trabalho dos editores. Além disso, as aulas que deram origem às notas que serviram de material para a edição não resumem a produção do lingüista genebrino. Ele escreveu quase dez mil folhas hoje arquivadas, na sua maioria, na Biblioteca Pública de Genebra e uma pequena parte na Houghton Library da Universidade de Harvard. O trabalho sobre esses manuscritos deu origem a um entendimento da produção do lingüista como uma dicotomia: 'o Saussure noturno', revelado por alguns manuscritos, e o 'Saussure diurno', o das aulas que deram origem ao Curso de Lingüística Geral. O trabalho com os manuscritos, ainda hoje, tem rendido uma querela sobre o 'verdadeiro Saussure'. Nessas discussões freqüentem ente se esquece a importância da Gramática Comparativa, escola em que Saussure se formou. Assim, o objetivo desta tese é examinar, a partir das elaborações da psicanálise lacaniana sobre o sujeito e a ciência, como os elementos dessa constelação de produções de Ferdinand de Saussure poderiam estar em jogo na fundação da lingüística moderna. Por isso, procuramos buscar o movimento de Saussure na fundação da ciência lingüística considerando cada elemento dessa constelação e estabelecendo, a partir da psicanálise, a relação possível entre eles. Para isso nos servimos da banda de Moébius e do nó borromeano, figuras topológicas através das quais Jacques Lacan (1901-1981) efetua a mostração do sujeito, o que nos oferece a possibilidade de nos aproximarmos do movimento particular de Ferdinand de Saussure, levando em consideração a hipótese do inconsciente. Esse caminho se inicia pela discussão do estatuto da edição do Curso de Lingüística Geral na fundação da lingüística. Em seguida. procuramos abolir a dicotomia Saussure diurno/Saussure noturno em favor das relações entre as suas produções sobre os anagramas e a teoria do valor e considerando, tanto aí quanto na edição, a importância da formação de Saussure como comparatista. Finalmente, buscamos indicar, em algumas páginas de suas notas para a "Première Conférence" (1891), o movimento tortuoso do linguista às voltas com a definição da Lingüística enquanto ciência, através da rasuras, incisos e repetições presentes nesse manuscrito Résumé: Cette thèse se propose d' examiner la fondation de la linguistique moderne par Ferdinand de Saussure (1857 - 1913). Cette fondation est reconnue depuis le début du XXe siècle, lors de la parution du Cours de Linguistique Générale (1916). A partir de cette publication, les études du language ont acquis une autonomie centrée sur la reconnaissance que la langue avait un ordre propre. De la reconnaissance de cet ordre en tant que structure est né, aux environs de 1960, le structuralisme, mouvement qui a influencé d'autres domaines de recherche dans les Sciences Humaines comme l' Anthropologie, la Psychanalyse et la Théorie Littéraire. Toutefois, dans la Linguistique en particulier, ce qui avait été révolutionnaire à un moment donné est devenu d'un côté discrédité, de l'autre figé: les critiques aux exclusions lues dans les dichotomies saussuréennes _langue vs parole, syncrhonie vs dyachronie- s'intensifient et surtout, le Cours de Linguistique Générale devient lecture obligatoire à l'Université, mais souvent, ayant le statut de lettre morte, sans aucun rapport avec la théorisation sur le language, comme simple information pour déterminer sa différence par rapport à tant d'autres théories linguistiques. L'oeuvre de Ferdinand de Saussure, cependant, est demeurée intouchée. Il n'a pas écrit le Cours de Linguistique Générale. Cet ouvrage est le fruit d'une édition à partir de quelquesuns de ses manuscrits et des notes de ses éleves, ce qui mérite, actuellement, des discussions chaleureuses de la part des auteurs qui sont partagés dans le jugement du travail des éditeurs. En outre, les classes ayant donné naissance aux notes qui ont fourni la matiere de cette édition ne résument pas la production du linguiste genevois. Il a écrit pres de dix mille feuilles dont la plupart se trouvent à présent archivées dans la Bibliothèque Publique de Genève et une petite partie dans la Houghton Library de l'Université de Harvard. Le travail sur ces manuscrits a engendré un entendement de Ia production du linguiste comme une dichotomie : le 'Saussure nocturne', révélé par quelques manuscrits, et le 'Saussure diurne', celui des classes qui sont à l'origine du Cours de Linguistique Générale. Ce travail suscite, encore aujourd'hui, une querelle sur le 'vrai Saussure'. Dans ces discussions, l'on oublie souvent l'importance de la Grammaire Comparative, école ou Saussure s'est formé. Ainsi, cette thêse a pour but d' examiner , à partir des élaborations de la psychanalyse lacanienne sur le sujet et la science, comment les élements de cet ensemble de productions de Ferdinand de Saussure pourraient être en jeu dans la fondation de la linguistique moderne. De ce fait, nous avons cherché le mouvement de Saussure dans la fondation de la science linguistique, en considérant chaque élément de cet ensemble et en établissant, á partir de la psychanalyse , la relation possible entre eux. Pour cela, nous avons utilisé la bande de Moebius et le noeud borroméen, figures topologiques par lesquelles Jacques Lacan (1901/1981) effectue la monstration du sujet, ce qui nous offre la possibilité de nous approcher du mouvement particulier de Ferdinand de Saussure, en tenant compte de l'hypothèse de l'inconscient. Ce chemin débute par la discussion du statut de cette édition du Cours de Linguistique Générale dans la fondation de la Linguistique. Ensuite, nous avons cherché à abolir la dichotomie Saussure diurne/Saussure nocturne au profit des rapports entre ses productions sur les anagrammes et la théorie de la valeur, en considérant, ici ainsi que dans l'édition, l'importance de Saussure comme comparatiste. Enfin, nous avons cherché à signaler, dans quelques pages de ses notes pour la « Premiere Conférence» (1891), le mouvement tortueux du linguiste, en quête de la définition de la Linguistique en tant que science, par des ratures, des incises et des répétitions présentes dans ce manuscrit
Bibliographical Information:

Advisor:Claudia Thereza Guimarães de Lemos; Claudia Thereza Guimarães de Lemos [Orientador]; Maria Fausta Cajahyba Pereira de Castro; Maria Francisca Lier De Vitto; Nina de Araujo Leite; Valdir Flores; Maria Rita Salzano; Maria Teresa Lemos

School:Universidade Estadual de Campinas

School Location:Brazil

Source Type:Master's Thesis

Keywords:inconsciente manuscritos linguistica psicanalise

ISBN:

Date of Publication:07/28/2003

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